RESENHA: O FUNDO É APENAS O COMEÇO

agosto 08, 2018




Autor: Neal Shusterman
Editora: Valentina
Ano de lançamento: 2018
Páginas: 272
Sinopse: Caden Bosch está a bordo de um navio que ruma ao ponto mais remoto da Terra: Challenger Deep, uma depressão marinha situada a sudoeste da Fossa das Marianas.
Caden Bosch é um aluno brilhante do ensino médio, cujos amigos estão começando a notar seu comportamento estranho.
Caden Bosch é designado o artista de plantão do navio, para documentar a viagem com desenhos.
Caden Bosch finge entrar para a equipe de corrida da escola, mas na verdade passa os dias caminhando quilômetros, absorto em pensamentos.
Caden Bosch está dividido entre sua lealdade ao capitão e a tentação de se amotinar.
Caden Bosch está dilacerado.



"Folhas em branco gritam comigo, exigindo serem preenchidas com o lixo do meu cérebro."


O livro é uma imersão na mente humana. Acompanhar Caden e seus pensamentos foi profundo, de uma maneira desesperadora. Para uma escrita nos tocar tanto, é porque o autor fez um valoroso trabalho, tanto de pesquisa quanto de entrega.

Volto a repetir o quanto são necessárias obras que nos levam ao campo da reflexão. Doenças mentais são sérias e não podem ser subestimadas e julgadas como fraqueza ou frescura. É necessário a percepção e o apoio da família e de quem se ama. Acredito que só de se estar rodeado de pessoas dispostas a ajudar e estender a mão auxilia em 50% do tratamento.

A história se inicia com Caden dentro do navio com seus colegas tripulantes: temos um capitão, temos um papagaio e posteriormente vão aparecendo outros personagens no navio, tão intrigantes quanto. Confesso que me deixou confusa em certos momentos, mas conforme se desenrola e os capítulos vão se alternando entre Caden estar a bordo do navio e levando uma vida aparentemente normal, vemos que ele está realmente precisando de ajuda. E é ai que entendemos que o que acontece internamente é mais profundo do que podemos julgar.

Durante a trajetória e o caminhar da história, fiquei impressionada em testemunhar como absolutamente tudo se torna uma pauta exaustiva na cabeça de Caden. Até a mais simples colocação que seus familiares fazem o leva a inúmeras histórias, teorias e medos.

Não identificamos em que ponto seus familiares percebem que existe algo errado, mas para o leitor fica claro desde o principio. Caden monta uma série de teorias sobre perseguição na escola, anda por horas a fio e as “vozes” ficam cada vez mais presentes. Quando Caden descreve suas lembranças passadas, entendemos que os questionamentos e até certa paranoia estavam ali quase sempre.

O momento de sua internação é para mim o ponto mais tocante da história. Seus pais, na iniciativa de ajudá-lo, o levam para uma clínica onde possa receber um tratamento adequado. Entendemos melhor sua batalha para se livrar do “navio” e ter mais momentos de sobriedade. O termo “esquizofrenia” só aparece no fim. Por isso o livro é tão tocante. Acompanhamos uma história de voltas e mais voltas, medos e angustias, sentimos tudo igualmente com Caden. E só no fim vamos descobrir junto ao personagem seu problema e torcer na sua luta para continuar vivendo um dia após o outro.






Você também vai amar:

0 comentários

Subscribe